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O MESTRE DA XILOGRAVURA CHEGA NA FIESP

Reportagem: Caroline Rossetto

Inaugurada no último dia 06 de Abril, a exposição “J. Borges - O mestre da Xilogravura, trazida pela FIESP, é uma grande homenagem a esse artista pernambucano de quase 90 anos de idade.

Considerado um dos maiores nomes de xilogravura popular e um dos artistas mais importantes de Pernambuco, a exposição que traz 62 obras dele, 4 obras de seus filhos que estão seguindo no mesmo passo, 10 obras inéditas e um pequeno documentário, produzido pelo jornalista Eduardo Homem, estará disponível para os visitantes.

O trabalho desse artista tão icônico retrata a vida sertaneja, o imaginário popular, o cotidiano do Nordeste, as raízes, o folclore e suas histórias, além de contos populares e a tão famosa literatura de cordel.

Sua familiaridade com esse tipo de literatura também está exposta. Os livretos estão disponíveis, retratando o cangaço, a religiosidade forte e a vida simples de um homem trabalhador no campo. Tudo isso, o público encontrará pendurado em um varal e poderá conferir essas histórias.

J. Borges, no alto de seus 86 anos é reconhecido internacionalmente. Suas obras já passaram pela China, Japão, França, Estados Unidos e Venezuela.

Apesar da exposição ter sido inaugurada recentemente, promete ser sucesso de público e crítica. E tem visitantes que relataram que a mostra teve o poder de resgatar a memória afetiva. É o caso do carioca Pedro Pontes:

“Eu adorei a exposição de verdade. Eu já tive muito contato com a xilogravura a vida toda, por que a minha família toda é de Pernambuco. Então, eu ver uma exposição de uma pessoa de lá, para mim é mais fácil ainda, porque é muito familiar, é fácil de entender e de admirar, porque é da minha história e da minha criação. Só que para São Paulo é extremamente importante por causa da criação da cidade, que a gente sabe, que as pessoas do Nordeste que vem trabalhar aqui, para indústria e mãos de obras, essas pessoas acabam sendo marginalizadas. Então, ter alguém do Nordeste em uma galeria de arte, em uma exposição, valoriza esse povo que levantou a cidade. E não é só por isso, estava pensando que no primeiro andar, tem uma exposição modernista falando sobre o centenário da Semana de Arte Moderna, que é legal, bonita, mas que é mais do mesmo. É algo que, apesar de ser com artistas nacionais, do movimento, era uma galera burguesa, que ia para Europa, que trazia o conhecimento de lá, para tentar sofisticar São Paulo e torná-la mais chique em comparação a outros lugares. Mas, essa exposição aqui é 100% nacional, é algo que valoriza a nossa cultura e mostra que a arte não é só óleo sobre tela e em galeria fechada. Então, a cultura brasileira é muito forte: nossa música, nossa dança.

Então, acho que essa exposição não deveria estar aqui em baixo e sim do lado de cima, em lugar de destaque”, ressalta ele.


As obras de J. Borges é considerado patrimônio imaterial, título concedido pelo Estado de Pernambuco. Aos 86 anos, J. Borges tem uma paixão imensa pela vida e sonha em trabalhar até o dia em que não puder mais.

O FIESP trouxe essa mostra para difundir o movimento e apresentar esse artista que pode ser desconhecido para outras regiões do país e fazer com que o público paulistano conheça essas obras tão icônicas.

A professora de inglês Lígia Signoretto nos conta sobre essa ligação com a xilogravura:

“Eu costumo ir a algumas exposições em São Paulo. É a primeira vez que eu vou em uma exposição depois da pandemia. Não conhecia esse artista. Eu achei muito interessante, os quadros dele são bem coloridos e fazem lembrar a minha infância. Muitos dos quadros que ele coloca, eu tive contato com essa região”, completa.

A corretora Márcia Cardoso também não conhecia as obras de J. Borges:

“É a primeira vez que eu vejo esse artista. Fico até curiosa para saber se ele está vivo ou não. Achei incrível a arte dele só tinha conhecimento pela TV. Já fui para Recife, mas não cheguei a presenciar. Achei maravilhosa essa exposição e vi, por acaso, essa exposição. Foi uma grata surpresa”

Cordelista há mais de 50 anos, J. Borges tem uma bagagem muito rica em temas a serem tratados. O artista entalha direto na madeira, sem quaisquer recursos de esboço, rascunho ou algum recurso parecido, assim se tornando o maior xilogravurista do mundo. De acordo com estudos, nenhum artista desse nível, trata do folclore, picardias, cangaço, personagens imaginários, crimes e corrupção com tamanha originalidade, irreverência e inteligência.

Para quem quiser conhecer, a exposição está localizada na FIESP: Endereço: Avenida Paulista, 1313 - TRIANON MASP

Horários: De quarta a domingo: Das 10h00 às 20h00 GRATUITO

Necessário comprovante de vacinação. ATÉ 07 de agosto de 2022

Este projeto foi realizado com o apoio da 5ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária para a Cidade de São Paulo.